Sabemos que as relações de longa duração se caracterizam pela interdependência e afinidade, onde o alto grau de alinhamento, a existência de um objetivo comum e o respeito mútuo são ingredientes básicos para esse vínculo funcionar.

Uma boa prática difundida e adotada pelos empreendedores tem sido a preparação do Memorando de Entendimento que tem como objetivo embasar a elaboração de acordos de sócios ou quotistas.

O Memorando de Entendimento (ou MoU – Memorandum of Understanding) trata-se de um documento firmado entre duas ou mais pessoas com o objetivo de alinhar bases negociais, expectativas e linhas de atuação. Esse documento tem como finalidade formalizar todo e qualquer acordo feito sobre um determinado assunto, projeto ou sociedade e quais as instruções que devem ser seguidas, ou seja, ele é realizado para registrar fatos e resguardar as partes do que está sendo acordado entre elas.

É importante que esses detalhes do MoU fiquem claros e que sejam definidos em um momento tranquilo e amigável entre todos a fim de se evitar discussões futuras irrelevantes e desnecessárias.

Muitas vezes o MoU é negligenciado por não ser obrigatório, o que é uma pena, pois ele tem o poder de evitar e/ou minimizar uma série de conflitos.

Importante saber que todo e qualquer tipo de informação pode ser tratada nesse documento, desde o papel que cada sócio irá assumir dentro da sociedade, como deveres, horários, retiradas, venda de participações, entre outros. Trata-se de um documento muito maleável, não tendo nenhuma cláusula como obrigatória, havendo total liberdade de estipular o que as partes bem entenderem ser pertinentes.

Partindo-se do pressuposto de que esse documento serve de balizador para que haja fluidez nas deliberações e que desentendimentos sejam evitados, temos notado que apesar de sua função, ele vem sendo na maioria dos casos desacompanhado do elemento primordial, que é o alinhamento entre todos os sócios, o entendimento de perfis, interesses, necessidades e uma compreensão mais aprofundada das diferenças e complementariedades.

A nosso ver, tal alinhamento advém de uma comunicação efetiva e do estabelecimento de confiança mútua entre todas as partes.

Uma prática que tem se mostrado eficiente e proveitosa em diversos casos é a estruturação da conversa e do diálogo triangulado (com a presença de um terceiro neutro). A partir da mediação pelo terceiro neutro os interesses compartilhados muitas vezes mostram-se maiores que as diferenças. Como aprendizado tem-se que as questões conflituosas podem ser endereçadas para um campo positivo, diminuindo desentendimentos futuros e garantindo maior transparência nas novas relações ou naquelas já existentes.

Texto elaborado pela Equipe Burithi – Transformando Conflitos

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